AS FACAS


581008_397116807003926_1611761750_n (1)AS FACAS
…Até que um dia
Hei-de regressar a mim,
Ao altar das rosas brancas
Onde beijei todas as quimeras já findas.

Às suculentas maçãs inauguradas
Quais virgens pelas manhãs…
…às infinitas colinas rebolando ânsias
Pelas minhas mãos tão aflitas.

…Até que um dia
Hei-de finalmente regressar desta guerra…
Minha Mãe,
Destas farpas que me lançam,
Da tua própria faca em riste sobre mim.

Qual jangada de madeira à deriva
Em alto mar
Vestir-me-ei de azul, castanho,
Tormento e quiçá flores…

Sei que hei-de regressar a terra firme
E a mim.

Todos os silêncios são lanças afiadas
Cravadas no meu Ser,
Todas as ferozes vagas
Permanecem facas.

Facas com que eu cortei amarras de um navio imenso…
…que permanecerão comigo quando eu tiver melancias para retalhar…
…quando enfim chegar o tempo do meu contentamento.
Quiçá no verão de todo o meu esquecimento.

© Célia Moura – Do livro “Enquanto Sangram As Rosas…”

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