ALMAS DISCRETAS


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Almas discretas
Entre Vénus e a criança órfã da praça.
Vértices de amargura
Entre paixões cruzadas
E bolinhos no forno da minha avó
Lá na serra.
Eram biscoitos sorridentes pelas festas,
Como eu, e mel.

Em mim, a saudade, a espera triste das festas
Mas sorridente dos biscoitos e do mel.

A casa dos meus avós era o meu altar.

Proença, longínqua de mim agora.

Aquele odor a madeira,
O sobrado e o sobrado alto,
Os enchidos, tal como os cachos das uvas
Transbordantes de vindima
Pendurados ao fumeiro.

Ai, criança órfã
Que ficou outrora pela estrada dos afectos,
Ai carquejas frescas, espinhos e raposas matreiras em seu caminho,
Pinheirais sem fim!

Irmãos que não tive, levai-me!

Deus e o Diabo têm-me visitado.

Porém, recordo
Os biscoitos da minha avó,
Os lençóis de linho, acabados de passar,
A louça vinda de longe para os dias especiais
Os seus sábios conselhos, e creio na Luz,
Jesus!

Aquele que acolhe todos os orfãos da estrada
Como flores do Seu quintal.
Descobri, entretanto
Que sou jasmim
No jardim dos afectos
Dos meus avós.

Dedicado aos meus queridos avós que tendo partido, permanecem intactos dentro de mim.

© Célia Moura – A publicar
(Imagem – Bernard J Stoffl Photography)

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