INSÓNIA


10934011_779341968781406_7801403561021505021_nINSÓNIA
Dormir?!
Não se dorme aqui tão perto,
Enquanto as salinas invadirem meu corpo
E o mosto da saudade
Ainda inundar os lagares da alma. 

Desesperadamente,
Tento beber de ti todos os lugares
Todas as palavras desta chuva de Outono
Que não me leva ao outro extremo de mim
Tão óbvio
Sempre tão distante,
Tal como minhas mãos
Que nunca embalaram qualquer berço.
Mãos vazias!
Mãos estéreis
Histericamente inquietas!

Dormir,
Meu filho,
Dir-te-ia eu
Se assim o fosse,
Não se vislumbra aqui tão perto
Enquanto mariposas loucas
Esvoaçarem teu leito de sossego
Meu amor.

Dormir?!

Não se dorme aqui por perto.

Desesperadamente
Vagueio pelos escombros de mim
Tentando refazer teus membros

Teus olhos, teu sorriso, teu andar impreciso…

Mesmo sabendo que jamais te encontrarei em qualquer espaço possível,
Procuro-te incessantemente,
Procuro-te ao redor do meu próprio precipício.
Tento beber de mim,
Sonhando-te!
Tudo o que poderia ter sido e não foi.

Minhas mãos frias, côncavas de vazio,
Continuarão à espera dos teus frágeis cabelos,
Filho meu.
Só o meu peito te embala o berço
Enquanto dormes
Meu amor.
Só o meu peito e o canto de qualquer rouxinol perdido pela manhã
E esta agonia maior, companheira desta persistente insónia.

A todas as Mães, que nunca o foram.

© Célia Moura, in “Enquanto Sangram As Rosas…”
(Max Sauco Photography)

Anúncios

Deixar um comentário:

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s