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Cegaram-me motins
E arraiais de fogo
Pelas ruas já exaustas
De vício, podridão, tortura
Onde nem sequer os candeeiros
Possuem a magia intrínseca ao anoitecer.

Cegaram-me Gritos famintos
De justiça e abismos,
Pranto pelas sarjetas do sobressalto,
Vozes de cobiça e desalento.

Cegaram-me as mais belas telas de Dalí
E as cúpulas de Miguel Ângelo
Estendendo a bruma dos amantes pela Praça de S. Marcos
Num refúgio de licor.

Cegaram-me de magnificência
Os rostos de todas as crianças felizes.
A Paz, o Pão, o Perdão, a Causa sofrida…
Semente lançada ao ventre da Terra Mãe.

Cegaram-me palavras ilustres de Poetas,
Obras de Arte excepcionais,
Escritores,
Filósofos,
Doutores,
Sábios,
Mestres…

Cegaram-me teus lábios meu amor
Que me inundaram a pele de sagrado
Onde meus seios se escondem em segredo.

Cegar-me-ias Tu meu Senhor?!

As pedras da calçada ainda me sorriem na cumplicidade
De todos os gestos que nascem de mim
E não são meus…

Cega-me a Tua Luz
Desta janela onde estou respirando mar.

© Célia Moura poesia
(© ВАЛЕРИЯ БЕЛОВА Phtography)

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