Minha mãe de platina


309872_226219970760278_8273445_n (1)Minha mãe de platina
Gerada em nenúfares de quimeras e palavras inebriadas a poesia,
Quisera eu dar-te tonalidades novas,
Perfumes raros,
Epístolas de um pássaro azul
Sempre a esvoaçar gerações
Minha orquídea sagrada,
Alecrim, sangue de rosas silenciando palavras incautas
Quisera eu dar-te a maresia entre o riso das crianças
Que revolviam búzios, conchas e pedrinhas no areal da pequena praia Recitando poesia,
Quisera, minha mãe de harmonia
Contemplar-te com todas as cotovias,
Convocar todos os rouxinóis somente para ti,
Abraçar-te com o meu véu de ternura e de Mozart
Entre todas as ventanias de lamento
E cantar-te o mais belo fado alguma vez ousado
Numa tela de Bordalo.
Minha mãe , meu sol ao entardecer, minha cidade de Luz por desvendar – não me deixes órfã de ti!
Não me deixes minha tela e meu brocado, meu princípio e meu fim,
Poesia a rejubilar de nós.

Ai, minha mãe de platina,
Minha orquídea sagrada,
Permanece em mim
Sempre,
Sem idade,
Através de toda a Beleza da Arte,
Manifesta num quadro, num mármore, ou somente no olhar de um esboço.
Não me deixes órfã de ti.

À minha querida Amiga e Escritora Madalena Gomes

© Célia Moura – “Enquanto Sangram As Rosas…” – Homenagem a Madalena Gomes

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