ESTÁTUA DE SAL


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Mergulha teu hálito
no areal ferido,
moribunda evasão!

Porque não expiras tu,
Tristeza,
a náusea,
quando, ferozes, as vagas se abatem solitárias,
porém lautas
nos rochedos da saudade?

Ó mal-amada, no infortúnio gerada
e beijada,
afrontando apatias no focinho das hienas,
derrama tua estridente e vã beleza
pelas fragas!
Vomita todos os lamentos
pelo abismo do teu peito
em crueldades de cetim desbotado,
até a Dor destilar o mel,
e ri…
Sim, ri sem temor…
De ti!…

Náufraga …
flor de Lótus,
dos amantes no cio da Primavera,

e de “questa vita bella…poverella!”

Tu que dizes:

Amália-mito,
lânguida Alfama, madrugada…
Boémios nardos em vez de fado,
amordaça a vagabunda gelada
pelas prenhes enseadas do sangue
que o mar revolve e purifica,
nesses silêncios de sal, prenhes de ti,
ó estéril enclausurada
em sofridas marchas nupciais
iradas!

Mergulha a essência baptismal
entre os corais
e talvez consigas ouvir
a criança que canta
em todas viagens,
pelas estradas.
Talvez a vejas acenar sorrisos ao rio,
numa caravela que passa, e despedaça
o sono breve
da inocência proclamada
na aprendizagem das palavras.

© Célia Moura
(Ilustração – Obra de Kasia Derwinska)

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