Temos crianças esfaimadas


10730174_731144460267824_9159546878084689322_nTemos crianças esfaimadas
E elas sorriem
Para elas.
Temos prostitutas 
Em Assembleia
De todas as classes,
Tão ousadas,
Tão promíscuas
E nós somos palhaços
No circo delas.

Temos vozes
Que se erguem
Papoilas ressurectas
A desfalecer
Fome pelas ruas.

Temos sanguessugas aperaltadas
Bem engravatadas
Chupando-te o sangue
Dos dias
Irmão,
E nenhuma palavra as detém
Nenhuma Lei virá,
No corrupto descalabro da justiça
Que vomito por todos os poros
De mim.

Temos crianças esfaimadas
E as sanguessugas multiplicam-se,
Gordas,
Ferozes,
Pelas suas frágeis pernas.

Haverá ainda um Destino
Feito de Luz
No reino da palhaçada
Para nos abençoar
Irmão?

Haverá ainda União de um só gesto,
Por todas as praças?!

Haverá ainda tempo
Para que os herdeiros
Desta nação
Sintam o sabor da dignidade
A Primavera de um cravo
No cano de uma espingarda,
O pão, a paz, um hino
De igualdade?!

Haverá ainda tempo neste Tempo
Meu Irmão?!

© Célia Moura – A publicar “Terra de Lavra”
(Fotografia – Desconhecida a autoria “Google”)

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