Ai sede que não estancas


1000794_477255502358277_1996719070_nAi sede que não estancas!
Ai angústias de Cassiopeia soberbas em pele de arcanjo!
Ai agreste alegria que não vens, jamais!
Exalto-te ó sublimação de sangue e seiva nesta atroz embriaguez!

Que pretendes tu de mim, minha Mãe que ainda pronuncias meu nome,
que desconheço?

Não sou filha de ninguém!
Ou serei?

Mas sou semente exposta à eira, ó utopia maluca, ó transe que não cessas
nas mentes das gentes.

Meu milho rei, foste cruel!

A chuva derramou lágrimas, eu jamais!

Com que destino me contemplaste, meu amado e viçoso rei de milho nu,
de milho encoberto.

Sou da terra!
Minha amada terra mater, Mãe dolorida.

Ai sede que não estancas!

Ai dores de parto que não sei!

Contemplo-vos com um soberbo chá de jasmim.

Vinde, ó loucuras desta árdua jornada repleta de sangue,
dádivas de Ternura,
meus arautos de infinito em silêncio de arcanjos.

Vinde hoje aqui!

© Célia Moura – “Enquanto Sangram As Rosas…”
(Imagem – Joel Robinson Photography)

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