UM RUMOR DE PAZ


46209_432186286830311_1876947157_nUM RUMOR DE PAZ
Vem!
Deixa o abismo contorcer a agonia do Holocausto!

Resta ainda um tempo,
Um pedaço amplo de espaço
Para te conter a súplica,
A benção dos aflitos!

Vem mesmo assim,
Exausto,
Estilhaçado,
Enraizado
À vitória vã
Desse chão cravejado
De maldição.

Ouvem-se rumores,
Sinos de denúncia.
Ainda hão-de crescer açucenas
Nessa terra de ingratidão.
Haverá Primavera!
Haverá tempo de perdão!

Vem mesmo só.
Soldado desgraçado
Das noites embriagadas
A sangue
E das febres sazonais.

Sabes,
As mãos ainda se podem abrir à renúnica
Servo da alucinação!
Há grinaldas brancas
No riso e na fronte das crianças.

Não olhes para trás…
Geme a derradeira rendição.

Crê na Luz
E eu convocarei
As mais incandescentes tochas de Paz,
Na nocturna bruma do desassossego
Vigiarei os olhos do falcão!

Vem,
Levar-te-ei, num alento novo,
À Ribeira
Serendo a Dor
No seio dos vales,
Esperando-te
Pranteando e prateando
A aura à justiça
Na inocência do teu olhar revolvido
Seu amado filho,
Sê bem vindo!

A meu Pai, e a todos os soldados.

© Célia Moura – Do livro “Jardins do Exílio” – Hugin Editores – 2003
(Imagem – Google)

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