CONSAGRAÇÃO


15603_450963824952557_652254906_n (1)CONSAGRAÇÃO
Clamais em alta voz
Às estátuas de bronze
E pedra ornamentada.

Clamais até emudecer
A desenfreada ânsia
Que tendes de infinito
E arduamente vos consome
Os dias e as noites,
Na voracidade, por vós mesmos gerada,
Em súbitos devaneios,
Insatisfeitos.

Invocais dúbios rituais
E com vossos lábios consagrados
Ao louvor puro,
Menosprezais a cálida luz
Que teima em anunciar
Sábias revelações
No silêncio
Do vosso ventre.

Bem sabeis
Que podeis clamar,
Em vão,
A todas as pedras do caminho,
Incertas, grotescas…atormentadas.
Inertes permanecerão!

Deixai a soberba vaidade dos ídolos consagrados
Ao pó!

Não sabeis vós
Que sois como ouro refinado,
Pérolas, safiras e aromas raros!

Clamai à Verdade,
Pequeninas crianças,
Em rebeldes tropelias!

Arrancai pela raiz
Todas as ervas daninhas,
E a Luz brotará
Em vós mesmos
Como viçosos rebentos
De singelas flores
Cobrindo os campos,
Pela imensidão do tempo,
Em tremendas ousadias
De vibrantes cascatas
Através da Terra.

Banhai-vos pois,
Nessa água redentora!
Humilhai-vos perante a maior Dádiva,
Na união da Palavra…
Então, suave como seda pura,
A humanidade florescerá plena!

© Célia Moura – “Jardins Do Exílio”
(Ilustração – “As Mãos” – Sculpture by Rodin)

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