Cruzámos já


407886_452144004834539_231265744_n (1)Cruzámos já,
Todos os Cabos da Boa Esperança?

Não sei!

Nada sei!

Sabereis vós?

Mas, confesso que do nada
Nos erguemos,
E caídos nos levantámos
Em paisagens de Absoluto
Ultrajando escorpiões no deserto.

Enquanto houver uma mão em agonia estendida,
Enquanto crianças permanecerem no suplício
E no silêncio
Feridas,
Corpos perdidos, mutilados, encolhidos pelo chão
De pedra,
Iluminados pelos candeeiros da cidade,
Olhos famintos,
Somente nós,
Poetas de todas as preces,
Paridos em essência de loucura
Poderemos exaltar as vozes da renúncia
Ainda que a nossa voz seja um sussurro breve
E dormente…

Gritaremos!

Sim!
Permaneceremos firmes,
Tal qual bandeira hasteada no sangue, no mel, ou no fel,
Desafiando o bradar dos mais ferozes ventos
Em Cabos de Tormenta!

Caminharemos sim!
Por onde nos mandar o Divino alento
Rumo á graça ou á desgraça,
Árdua jornada,
À margem de qualquer rendição.

Somos os jardineiros da Paz,
Ou águias reais,
Imaculadas rosas,
Trespassando todos os mísseis ou trombetas
Da injúria!

Somos nós!

Sim,
Seremos incessantemente nós,
Desgraçados ou excelsos poetas,
Clamando num hino o sémen da União!

Sim, bem sei que o Mundo nos não entende!

Somos arautos do coração!

© Célia Moura – “Jardins Do Exílio” – Hugin Editores – 2003
(Ilustração – Obra de Steve Richard)

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