Trémulas as mãos


1503815_562959673787859_427656520_n (1)Trémulas, as mãos que entrelaçam as mãos.
Suadas dos estio que derrama dos poros, a Força!
São esguias,esculpidas nos árduos dias da jornada, ou no vácuo a navegar em gestos que sublimam o silêncio às palavras que as vozes, não ousam.
Apatia, ou talvez não.
As firmes mãos que moldam o barro e dão forma aos sonhos mais bizarros. As mesmas mãos que acariciam o rosto ao firmamento, e ascendem aos Vitrais de Lua Cheia.
As mãos da Paz!
As mãos da Guerra!
Aquelas que nos emergem na utópica certeza de um arrebatamento de luz.
As mãos que expandem o louvor maior na imensidão dos temporais, e enaltecem a sublimação à Coragem.
As que, inebriadas de exílio tecem sobrevivência, entoando cânticos novos de libertação, quebrando todos os contornos disformes da opressão.
As ascéticas mãos, buscando incansavelmente o limiar das fontes e das nascentes, caindo no infinito da alienação, para somente deambularem frias, porém profetizando a aura das madrugadas nos espaços em branco, das palavras devoradas pelo pranto.
As mãos que nos afagam o ventre e o caminho. As que expressam insubmissão no mais belo de si mesmas, a essência, na enseada dos corpos esculpindo um Amor maior.

Simplesmente, as Mãos – inspirações no néon incerto dos dias.

© Célia Moura – Do livro “Jardins Do Exílio”
(Ilustração – Kevin Cook)

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