A FARSA DA SEGURANÇA SOCIAL


428629_503715933010679_1607037100_n (1)A FARSA DA SEGURANÇA SOCIAL
Joana, 40 anos, 70% de incapacidade, salário médio líquido 500€ e um marido desempregado sem qualquer apoio social. Sobrevive à custa de vinte e poucos comprimidos que toma diariamente numa rotina que já nem se apercebe, devido às doenças crónicas das quais é portadora, mas que lhe doem arduamente, mensalmente na hora de comprar na farmácia a medicação. Não se pode aposentar por incapacidade pelo facto de ter somente 20 anos de descontos e isso lhe dar uma miserável pensão. Habitação, não possui. Vive de favor na casa de familiares desde que casou, sempre pensando que seria apenas por um ou dois anos, já se passaram 10 anos. Os familiares querem vender o apartamento ondem ela está, porque só dá despesa, dizem eles, é condomínio que ela por vezes não consegue pagar, é o seguro da habitação, é o IMI, só despesas, grita-lhe a Mãe senhora de parcas posses que amealhou uma vida inteira para ter a sua casinha e hoje apesar de não habitar nela, pois tendo enviuvado, vive em segundas núpcias com outro homem, vê-se na obrigação de ajudar a filha e o genro.
Joana e o marido não têm para onde ir. Vale-lhes o facto de não terem filhos, apesar desse ter sido um preço demasiado elevado que teve que pagar por viver num país onde se tivesse crianças, estas serem as principais vítimas de um sistema onde no decorrer dos anos tudo se tem desmoronado. Vive num país onde a corrupção grassa, onde não existe espaço para gente pobre, para gente desempregada como o seu homem que já ultrapassou a fasquia dos cinquenta anos, e apesar de ter formação superior em várias áreas não consegue trabalho. Ninguém o quer em lado algum. Nem o Centro de Emprego lhe arranjou alguma vez alguma sugestão, nem nas tais “Novas Oportunidades” teve alguma vez alguma oportunidade mesmo querendo tirar um curso de cozinha, não poderia. Tinha formação superior. E como poderia pagar esse curso se não possuia qualquer rendimento?
Mesmo assim ele omitiu a sua escolaridade a sua formação e fez todos os testes tendo passado com um nível elevadíssimo, porém ficou eliminado, deram preferência a uma senhora Africana em prol dele cuja avaliação tinha sido inferior, mas segundo eles se adequava mais ao perfil exigido.
Decorreu esta situação da chamada entre uma 1.ª fase e uma 2.ª fase de cerca de dois anos e Joana sempre a ligar para lá, para a coordenadora do serviço pois não possuia meios de telefonar de casa, não tinha telefone.
Joana, tinha sido uma mulher perfeita, sem qualquer incapacidade até aos 38 anos, mas um trágico incidente, alterou-lhe a vida a 180.º de um momento para o outro. Ficou um longo período de atestado médico. Nenhum apoio obteve que não fosse dela própria, de raros amigos e da Mãe.
Foi aí que uma das suas médicas, numa das suas consultas de terapia no Hospital, ao saber aflição por que passava a reencaminhou para a Assistente Social desse mesmo Hospital, alertando-a de que no mínimo na medicação decerto iriam ajudá-la, pois algumas vezes quando o dinheiro não chegava e Joana não tinha por algum motivo o apoio de ninguém, não podia tomar os medicamentos para as tais doenças crónicas, sem os quais não poderia passar. Nesses dias, tinha que faltar ao trabalho, forçosamente, e permanecer em casa, geralmente em repouso.
Apesar de não haver esperança em Joana que nunca acreditou em Assistentes Sociais, pois já um dia lhes havia batido á porta e lhe tinha sido negada ajuda, numa época em que somente sobrevivia com 330€ mensais, ela e o marido, e nessa época lhe havia sido negado todo e qualquer apoio social, na data marcada, lá se fez ao caminho. Afinal o “Não” tinha sempre, iria em busca do “Sim”, porque isto do “Talvez” com segurança social, também não funciona. Ou é ou não é!
Naquele mês no recibo de vencimento constavam 485.€ e uns cêntimos.
A asssitente social olhou para o recibo, dividiu o valor ao meio por duas pessoas e disse que apesar das dificuldades de Joana serem algumas, e de gastar cerca de 70/80€ mês em medicação, mais coisa menos coisa, dependia dos meses, o caso não era considerado assim tão grave para quem “mandava”. E explicou porquê, dizendo que por exemplo o marido de Joana só teria direito ao RIS se ela tivesse um rendimento de 178 €, valor esse do RIS actual, e só nesse caso ela poderia ser apoiada na medicação, pois divindo 500€ por metade dá um valor muito superior por pessoa, ou seja, 250€ para viverem mensalmente, ou seja, um luxo!
Mas como Joana tinha vindo encaminhada de uma médica desse Hospital, essa Assistente Social, foi muito digna, fez alguns telefonemas, olhou nos olhos de Joana, preocupou-se com o problema dela e disse que não considerava correcto, mas “é como as coisas estão, percebe”, e até lhe marcou uma consulta com outra colega Assistente social também na área de residência onde Joana pertencia. Posto isto, acompanhou-a à porta, desejou-lhe felicidades, e lá foi Joana caminhando por aquele comprido e inóspito corredor de hospital, achando-se a si mesma ridícula num país de gente humilhada, imbecilizada com a miséria a morder-lhes os pés.

E uma vez mais se provou que o Sistema da Segurança Social no seu todo é uma grande farsa, e que se não fossem algumas Instituições o que seria de muita gente…
Agora questiono quem de direito – é um luxo viver com 250€/mês Sr. Ministro Pedro Mota Soares?
O que faz o Sr. Ministro ao suplemento de solidariedade que retira para não dizer rouba a grande parte dos portugueses que usufruem daquilo que o senhor considera viverem um pouco acima da média da miséria nacional?!
Não é com esse subsídio que apoia mulheres doentes e necessitadas como Joana, decerto, nem tão pouco crianças que vão para a escola todos os dias com fome, porque em casa não têm o que comer?!
Que vergonha!
E acha-se no direito de roubar directamente, com o maior descaramento possível aqueles que poderiam sim ajudar estas pessoas com a sua generosidade, se não as roubasse desta forma?
Ao menos deixe as pessoas saberem para onde vai esse dinheiro para essa nobre causa, é o mínimo que se pode exigir a um Governo.
O que fazem com o nosso dinheiro, meus senhores?
Será que o estão a usar no wc ou a comê-lo ao pequeno almoço, almoço e jantar?!
“É que não há mais cu que aguente isto!”

© Célia Moura

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