Entre o segredo, o condão e o desassossego


417958_466609470089547_954450378_nEntre o segredo, o condão e o desassossego
Deste ser inquieto, sempre a rir dentro de mim,
Grito, desfaço,
Despedaço-me, despedaço-te, desejo-te!

Entre as folhagens de abrigo,
Canto mais um grito,
Pecado em convulsão e em mim!

Meu amor de brocado e cetim,
Dói-me esta chaga de ouro fino
Com que me abri
Na esperança de nós,
Quando o Outono era já despedida breve.

Meu amor de carmesim, quem és tu?

Meu amor de puro cetim,
Para onde vais?

Hoje estás aqui, bem sei!
Hoje ainda é Verão!

Mas irás mais além,
Meu amor, meu silêncio,
Enlace de pura seda vestida.

Ai ânsia a revolver entranhas,
Nosso êxtase de amantes desunidos,
És o Todo que existe em mim,
Naufrágio em meu corpo,
Meu amor,
Meu amor de carmim,
Diz-me somente para onde vais assim,
Tão exausto, deixando-me só
Em meu pecado de linho, mel, licor, carmesim,

Pois que és já,
Meu princípio e meu fim!

© Célia Moura – “Enquanto Sangram As Rosas…”
(Ilustração – Mima Georgieva Photography)

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