Poema para um Desempregado


67060_575463822502556_1247184045_n (1)Poema para um Desempregado
De que me servem os braços, a sua força, a razão motriz
Se a amarga impotência soberana arrastou a vida,
A produção, o trabalho,
Os alicerces do sonho e de uma nação?!

De que me serve este Grito
Sempre voraz,
Insistente,
Corroendo-me as entranhas
Permanentemente
Se todos são surdos
Ao redor de mim?!

De que me vale
Debater-me em alto mar
Contra a corrente
Tão só
Exaurido de esbracejar,
Se a morte é somente um instante?!

De que me vale a coragem (se algum dia a tive)
Quando já não há ninguém em mim
E todos são tão ou mais corajosos do que eu!

Que ninguém que me embale
A voz
De ser loucura, lucidez absoluta
E coisa absurda
A caminho do Caminho
Traçado num palco de marionetas
E
Coisa nenhuma!

© Célia Moura – A publicar “Terra de Lavra”
(Ilustração – Samad Ghorbanzadeh Photography)

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