Meninos de Todos Nós


1978837_627003874050105_4177558685429024291_nMeninos de Todos Nós
Do local onde estou sentada
observo uma criança.

Com que impotência
me despedaço pelo chão do desassossego
entre vinho de alfazema
e labaredas de angústia
embriaguez de sentidos,
total desvario de loucura
estas crianças nossas em agonia vibrante
nesta barbárie vibrando
em rosto de Homens,
quais carrascos da Besta!

Ai,
Meninos de um “Deus menor”,
por quem o mundo orou,
pelos quais o mundo jamais se esquece de orar.

Mártires deste mesmo local
onde tão levianamente
andamos de braço dado com as trevas da morte
e da imundície
dizei-me Senhor, que gloriosas marés
ainda os poderão conter,
que mãos ainda os poderão resgatar da maldição
instalada no ventre da Terra Mater,
que tormento este,
meu Senhor!

Ai, meninos de olhar perdido,
mais triste que este negrume instalado no silêncio de um destino
de deambular tantas presenças, ausências cravadas dentro da minha,
entre cravos e pombas brancas,
qual o Salmo redentor,
qual a oração eleita
que vos proteja ainda,
meninos meus,
anjos de Deus porventura esquecidos?!

Decerto cuidarás deles, porque um dia dissestes que eram Teus.

– “Deixai vir a Mim as criancinhas”.

São Teus, sim, ó Soberano Senhor!

São, meninos de todos nós!

© Célia Moura – Abril /2014
(Graeme Watson Photography)

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