Poema com as duas mãos no ar


10152660_656692491046355_5661522503718389705_n (1)Poema com as duas mãos no ar
As duas mãos no ar. E apontados
todos estes canhões à minha boca.
A coragem é dos que foram deserdados
que a fome não é tudo. Nem é pouca.

Um lobo. Um povo. E num só passo
um passo em falso. Um passo para a forca.
Nos meus olhos já subi ao cadafalso
à hora da ternura. E fui sem roupa.

Nu. Com todos os lobos nas canelas
da poesia que faço. E pelas veias
este Tejo rebenta-me as costelas
num amor feito a dois. Poema a meias.

As duas mãos no ar. E apontados
todos estes canhões à minha boca.
A fome é dos que foram deserdados
mas a coragem é tudo. E não é pouca.

Deserdem-me. Deserdem-me. Eu resisto
às verdes chicotadas no meu nome.
Mas deixem-me ao menos dizer isto:
tenho muita coragem sem ter fome!”

Joaquim Pessoa , em “Amor Combate”

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