Mãe


10372338_647275675356258_6243558425157510364_nMãe,
regressa a nós,
por amor às limonadas que continuas
fazendo, mesmo que eu não as beba,
ao tempo em que até os prantos
tinham sabor a pão com marmelada
e eu sabia que o teu colo
estava ali onde eu poderia pousar a cabeça
e nenhum afago era superior ao teu,
nem o das pombas brancas
que hoje me acalentam todas as ausências

Mãe,
eu nunca te disse,
mas nenhum sorriso é mais belo que o teu,
e uma só lágrima tua continuará a gemer,
ecoando os maiores gritos
como a única espada que me consegue cortar

Não chores Mãe,
regressa a nós
repara que eu ainda tenho grinaldas de flores
penduradas nos cabelos,
ainda preciso do teu colo
e trago quimeras entre os dedos.

Abre as mãos Mãe,
não perguntes nada.
Só trago um pouco de silêncio e cumplicidade que roubei ao tempo,
e brincos de princesa sussurrando poesia,
isso nos basta Mãe,
volta para Casa.

© Célia Moura – 31.V.2014
(Joe Bowler Painting)

Anúncios

Deixar um comentário:

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s