Ontem invadiram meus canteiros


10473056_780402642008672_2581254953507837376_nOntem invadiram meus canteiros,
Espezinharam minhas flores,
Partiram todos os vasos
Do meu jardim
Rasgaram minhas vestes
Ultrajaram meu nome,
Alagaram de sangue
Os meus olhos.
Apedrejaram meu rosto
Ainda de menina
Onde resplandeciam quimeras
Numa rua com nome de poeta
Defronte a tanta gente…

E gritam urros de vitória,
Zombaram,
Rebolando álcool, chapinhando
No sangue da imbecilidade,
Ocos estes crânios de gente.

Hoje bem tentam devastar
No absurdo da existência
As sementes que guardei
Daquele anoitecer
Parido de Primavera.
Mas eles não sonham,
Nunca o fizeram
Eles não podem pensar,
Foi-lhes vedada a lucidez…

Agora tenho tulipas, cravos,
Roseirais, girassóis
E até ervas do campo a crescer
Num coração que continua a bombear
O mesmo sangue outrora profanado
Numa rua com nome de poeta.

© Célia Moura – (a publicar)04/02/2015

“Na primeira noite, eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem, pisam as flores, matam nosso cão. E não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles, entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz, e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta, e porque não dissemos nada, já não podemos dizer nada.”
(Eduardo Alves da Costa)

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