Se me mordeis o sangue


10993390_782783498472141_1080328015708584640_nSe me mordeis o sangue
não me esfacelais a carne
seda selvagem
às estrelas oferecida!

E, nem atenteis contra o vento,
pois não podeis acariciar-me as penas
ao pensamento lapidado
na migração das andorinhas,
imponente nos meus claustros consagrados
de desdém!

Nem me beijeis os olhos
de onde escorrem madrugadas
de jasmim!
Veneno será para vossos ignóbeis lábios!

Sabeis vós,
que a lei da transmutação
se revolve incessantemente triunfante
nas noctívagas sombras do meu silêncio?

Decerto, não sabereis
das vozes verdejantes que descem
pelos riachos,
nem do ranger da mediocridade
por vós idolatrada.

Não sou companheira
da vossa Via Sacra,
decerto não me conheceis…
…nem roubo segredos ao Vento Norte.
Pertenço-lhe!

Sois pobres sanguessugas fustigadas
desse afrodisíaco fel exaurido
nas máscaras do Poder
onde queimais incenso
e cegais,
pelos salões de prata desnudando lustres dourados
a transbordar o riso da cativa desgraça,
ó amordaçados da cobiça!

© Célia Moura, in “Enquanto Sangram As Rosas…”
(Andrew Lucas Photography)

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2 pensamentos sobre “Se me mordeis o sangue

  1. Gostei muito!
    “Sabeis vós,
    que a lei da transmutação
    se revolve incessantemente triunfante
    nas noctívagas sombras do meu silêncio?”

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