A Quantidade vs. Qualidade na Literatura Actual


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Não se passaram tantos anos assim, somente duas gerações para que a Poesia e a Literatura sofressem o que considero um abalo tão grande e raro que me sinto constrangida por vezes na condição de poeta.
O êxtase da criação literária parece-me cada vez mais limitado a um círculo vicioso e nefasto no qual não ouso entrar.

Na verdade todos nós ou quase todos em certos momentos da vida já escrevemos uns poemas, como também todos nós já cantámos ou já corremos e nem por isso somos cantores ou atletas.
Na vida todos nós a dado momento já fizemos algo que todos os outros fizeram, mas essa façanha não quer dizer que marque a nossa vida ao ponto de fazer parte integrante dela.
Quero com isto dizer que nem todo aquele que escreve poesia é Poeta, como nem todo aquele que escreve algo pode ser considerado Escritor.

Faço esta breve introdução clara e lúcida no que me é possível, porque tenho constatado com tristeza ser cada vez maior a quantidade de poetas e simultâneamente mais pobre a qualidade literária principalmente após o “furacão” designado “internet” e das redes sociais.
Nalguns casos paupérrima mesmo, de tal modo que me causa indignação, não a forma de quem se exprime, todos somos livres de o fazer, mas o modo como o fazem, ou seja, pagando publicidade dessa mesma poesia ao “facebbok” para que a mesma seja promovida como um produto a ser consumido tipo “fast-food”. É o que designo de literatura “fast-food”, aquela que é apetecível aos olhos, mas acaba por enjoar de tão pouca variedade, do nada que diz, do puro consumismo sempre em redor do mesmo produto mas com um toque de molho diferente e “marketing” tipo prateleiras promocionais de hipermercado.

É certo que vende!
Traz uma fama efémera, um alento ao ego e um decréscimo na conta bancária em prol de tão promissor talento (?) e eu questiono até quando?!

Pobre literatura nem tu escapas à fúria deste capitalismo a galope do abismo!

Eu gostava de ver essa gente a escrever pelo seu próprio mérito para jornais literários de há vinte anos atrás, desconhecidos de toda a gente, caminharem pelo seu próprio pé.
Não pagarem, mas antes serem pagos para escrever, isso sim dá um gozo bestial, ainda que como tantos pudessem partir incógnitos do mundo, mas lembrados por muitos com a dignidade de nunca se terem vendido.

© Célia Moura, 30.III.2015 (aos Poetas)

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