Sofia e a Pedra


11139362_812260412191116_4176263819476654468_nSofia e a Pedra
Sofia olha aquela pedra bem diante dela após todo aquele tempo, e é como se a imaginasse dizer-lhe:
– Tu sabes que fui eu quem te feriu naquele princípio de noite não sabes?
– Sei sim – responde Sofia. – Só agora te trouxeram até mim, nunca pensei que te tivessem encontrado.
– Sofia, continuas tão bonita ainda que eu tenha sido usada para desfigurar teu belo rosto e até te matar… Como é possível? Estou manchada do teu sangue até hoje.
É então que Sofia sente que aquela pedra grotesca, rude parece chorar. Inclina-se para ela, toca-lhe com suavidade, acaricia-a e diz-lhe:
– Não fiques triste, porque já chorei por nós, por mim, por ti que foste usada como arma e não era essa a tua função, e até pelas mãos de quem te usou contra mim. Queres ficar comigo aqui em casa? Na minha secretária? Posso pintar-te e fazer de ti uma peça de arte belíssima, aceitas?
A pedra fixou-a e Sofia por instantes sentiu-a sorrir.
Apenas uma condição proferiu Sofia:
– Não falarmos mais daquele dia, não faz sentido falar de algo que já foi restaurado pelo perdão. São sempre novas as águas que passam no espírito do rio.

© Célia Moura, 12.0V.2015
(Mecuro B. Cotto Photography)

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