Infortúnio, que bebeis lágrimas de orvalho


11143703_816576318426192_2738333589363491472_nInfortúnio, que bebeis lágrimas de orvalho
Em perfeitas rosas
Não me beijeis os olhos, vos suplico!

Ando perdida em todos os prantos
Entre sorridentes pétalas
No amanhecer do destino
E vós ainda enalteceis
Efémeros corpos
Qual fogo de artifício
Em debandada!

Sou barro cru ao poente
Perpetuamente esculpida
No bradar dos bravios roseirais
Aos ventos da sorte!

Deixai-me!

Sacudi o pó, e ide!

Sois tão infortúnio quanto a morte
Que em minha alma se derrama
Palavras paridas
De qualquer dor ou nostalgia.

Não me beijeis, vos rogo!

Vou no rubro do vento norte
Rumo aos braços do meu amante,
E deixo-me adormecer
Somente
Para contemplar exílios
Paixões concebidas
Quiçá, em vadias pinceladas
De poeta, ou revelações de profeta.

© Célia Moura, in “Enquanto Sangram As Rosas…”
(Jean Claude Sanchez Photography)

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2 pensamentos sobre “Infortúnio, que bebeis lágrimas de orvalho

  1. oh este irresistível apelo nihilista; para mim, não é tristeza não!, mas hedonismo do mais PURO… trespassado ao de leve por solipsismo 😉

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