Derradeira Penhora


11089040_822018894548601_3711415964761634009_nDerradeira Penhora
Ó vós que esfacelais a volúpia
De todos os canteiros
E continuamente zombais
No canibalismo do sistema
Rodopiando sangue,
Como uma máquina incessante
Girando, girando
Na girândola dos estridentes
Mordendo almas
Cuspindo ossos de gente…

Estou ali,
Na minha campa rasa
Fazei a festa, sarapateai com gozo
E com fúria
O folclore, o samba, a rumba
Esgravatai na terra
Meu útero prometido
Todos os poemas que escrevi.

Cuspam-lhes em cima!
Serão minha única penhora da dívida
E do cárcere
Por ter vindo aqui.

© Célia Moura, 29.0V.2015
(Alexei Antonov painting)

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