Não


10923508_773042552744681_3141748372236194196_nNão,
Não me rendo assim
Não encontro nada que me satisfaça
E se achar momentaneamente
Se desfaz
Zás-catrapás!…
E é como brasa, é cinza
É vapor
É nada!

Não,
Não quero!

Poderia dizer
Que por aí não vou,
Mas régia não sou
E como gladiadora de mim
Nunca serei,
Porque mouras me trouxeram até aqui.
Rosa dos ventos me sussurra sul
Eu quero nordeste.

Te convoco à dança,
Balanço suave
Provoco narcisos
Me dou no tranco
Da chalaça geral
E gargalho tua vaidade
Na tela do desdém.

Balanço quimeras
Na purga deste circo de horror
A ele me entrego
Só para cuspir depois tua cegueira
Na polpa das maçãs
Traço a canela tua boca de marfim
Quero esculpir-te assim
Como peça rara
Só para num rasgo de lucidez
Te desfazer contra as paredes
Da casa branca e de mim.

© Célia Moura – poesia
(Léa Fery Photograpy)

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2 pensamentos sobre “Não

  1. Bom dia Rancho das Crônicas, e eu amei a forma como você conseguiu interpretar este poema, assim como seu comentário. Aliás seus comentários são sempre muito edificantes para mim.
    Sou imensamente grata.
    Muita Luz e um abraço.

    C.M.

  2. Balanço quimeras
    Na purga deste circo de horror

    Quantas quimeras e mesquinharias… restratos do espírito povoado de coisas sem importância embora haja sempre a pergunta: o que não é quimera nesta vida? O circo de horror não é ilusão, é uma construção… Amei o poema.

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