No Espírito do Rio


10169460_724857517598073_8229092646600949284_n (1)No Espírito do Rio
Há tanto tempo que parti – dizes-me tu ainda assim sorrindo.
– Como podes ter partido, se vives, se tens uma ocupação, se amas, se te dás, se tens família, amigos?!
É tão simples – respondes-me. Quando já morreste e pouco mais importa em ti a não ser as necessidades básicas da vida, e nada do que és tem a ver com o Sistema onde forçosamente foste inserido, sabendo-te escravo dele, tendo a noção que a Liberdade é uma mentira, e a tua luta é sobretudo a de permaneceres inteiro e íntegro?!
– Diz-me, quantas vezes te sobrevives, quantas, quantas vezes te abocanham o pão da vida? O Sistema fede a imundicíe, é uma pocilga, um galinheiro armadilhado de merda com bestas se lambuzando!
Não sejas besta como as bestas! Não lutes com elas porque te contaminarão, mas não te rendas, afinal só o teu corpo permanece.
Exila-te do mundo, foge de ti, vai para a selva se for preciso. Talvez aí respires, sê parte da pequena Tribo. Jamais menosprezes a Terra Mãe, ela é a Liberdade, ela e o teu pensamento, nada mais.
Vê, como até as estações do ano a ninguém obedecem, observa a Natureza pois só a ela te poderás render, observa as chuvas, a sua ira, o sol, o mar e a serenidade do entardecer nas colinas.
Deixa o sangue bombear nas artérias sorridente do teu corpo seguindo seu rumo da nascente até à foz, e que teu espírito navegue distante e cristalino como um rio.

© Célia Moura – (acerca da Liberdade) 31/10/2014
(Christopher J. Rivera Photography)

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