Em todas as madrugadas


283825_209719705743638_5970420_n (1)Em todas as madrugadas
Te chamei, e
Me deste a beber o degredo,
Flagelo que nessas auroras beijei,
Não calei,
Os cardos com que abraçaste
Meu corpo de segredo!

Porém, vigiei holocaustos previsíveis
Nas sangrentas sarjetas
Do sobressalto.

Inquisição,
Não!…

Que nem o firmamento suportaria
Tão vil aberração!

E, nessas febris madrugadas
Vomitei a loucura, na cegueira dos teus olhos,
Até sucumbir à náusea
Da solidão maior…

…Do medo, retaliei o último grito…
Despi-me, qual poeta, arauto do vento,
Da servidão,
E permaneci no saltitar dos pardais…

…Das tuas mãos, já não guardo o sangue da inocência
E das palavras,
Cuja resistência inflamada em gestos,
Depurava as telas da sobrevivência.

Se, em ténues tardes geradas em debandada, derramaste o veneno das Víboras
No rosto das crianças,
Nada mais resta!…

…Apenas as sombras poderão ainda escorrer fantasmas de suplício,
Castrados,
Ó demente acorrentado!
Na silenciosa seiva desperta, hão-de permanecer intactas,
Ousadas gargalhadas de flores ressurrectas.

© Célia Moura, in “Enquanto Sangram As Rosas…” (31/07/2011)

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