PARTIDA


10360455_645766465507179_6880283155327848170_nPARTIDA
Tirai-me do peito
Esta ebulição constante,
Angústia a latejar-me o corpo
Em sobressalto!

Dai-me mel de rosmaninho,
No sóbrio exílio da loucura,
Deliciai-me esta agonia, por favor!

Trazei-me a criança,
Nas margens da infância, esquecida,
Entre vendavais de cardos,
Perdida!

Tirai esta ânsia de mim,
Esta fantástica, soberba cruz,
Que não é minha!

Concedei-me o poema eleito,
Memorial de ilusão maior,
Cravejado de diamantes;
Devolvei-me as pérolas negras da noite,
Mas arrancai de mim,
Esta adaga dourada de martírio!

Deixai-me ir embora!
Quero ir sozinha (foi assim que vim)!
Levar nas mãos a coroa da glória,
Para somente desfalecer
Entre os mais bravios roseirais…
…e, não mais voltar!

© Célia Moura – Do livro “Enquanto Sangram As Rosas…” [05/11/2013]
(Ilustração – Svetlava Bekyarova Photography)

Anúncios

Deixar um comentário:

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s