UM POEMA PARA CÉLIA MOURA


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UM POEMA PARA CÉLIA MOURA
Mulher,
Quando te olho
Vejo em ti o “Hálito de Afrodite”
Onde te despes e te sentes,
Te inventas e te agitas.

Lavras o amor
E nele semeias os frémitos
Com que sangras as rosas,
Como se fosses campo
Ou “alvorada uterina”.
As tuas palavras silabadas
São como arados
Que rasgam as “grinaldas de todas as órfãs”,
Com que semeias a arte
Que os ventres acolhem.

(Em todas as metamorfoses
Fazes germinar sementes
Na conubial vivência das púbis.)

Não te revês no exílio,
Mas fermentas ligações nos seus jardins.
Cada estrofe tua é um elo
E um mastro
Embandeirando liberdade
Para compreensão de tudo
Quanto é humana condição.

Contigo
Os versos não se cansam.
São emoção,
Sentidos abertos aos sentidos,
São orgasmos repetidos
Nos corpos assumidos
Onde cada abandono é sempre plenitude.

O teu canto poético não tem milagres
Nem êxtases por revelar.
Revelas sempre tudo
Com a crueza do poeta,
Quando denuncias
E com a singeleza da musa,
Quando te despes
Para nua te descreveres
E te entregares ao teu “menino homem”.

Pois é Célia!!!…
As tuas palavras são semelhança de tecedeiras
Que tecem as carnes
Para que a poesia
Surja tingida com o sangue que nos ferve,
Mas também tangida a divinas criações
E à justiça
Elevada ao grau
Em que ela se confunde com o amor.
Porque tu és amor,
Amor aqui, amor terreno,
Aquele amor que abraça o mundo
E ao mesmo tempo faz dois corpos serem um.

Leio-te
E vejo-te essa subida em “Espiral”
Até ao “doce firmamento”
Onde plantas invenções
E “palavras vivas e desconexadas”
Sempre que te vestes de silêncio.

Na tua “Terra de Lavra”
És interrogação
Quando lavras a “Primavera de um cravo”
E clamas pela paz e pelo pão.
Como te entendo Célia!!!…
Os teus versos, colados aos “Cornos da Vida”,
São reboliço
Em constante agitação.
E, se as tuas flores sangram,
É porque o sangue é orvalho que te visita
Para te manter fresca
E ausente de “todas as reticências”,
Para que nunca te vejas interrompida.

Transpiras o que sentes
E do que sentes
Fazes mel percebido
E bola de berlinde nas mãos duma criança.

Quisera elevar-te
A um cântico inocente
Onde não existam escrutínios por desvendar
E retirar de ti todos os ruídos
Que profanam os teus silêncios.
É tanta a poesia que ainda tens par nos dar
Que só o que em ti é silêncio
Nos pode revelar.

JM ascenso – A publicar
Novembro/2014

11/15/2014

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