DÁDIVAS DE SANGUE


157046_438674832883011_1287192934_n (1)DÁDIVAS DE SANGUE
Desfaço-me em todas as metamorforses
Do meu silêncio.
Ai ânsias,
Naufragas de todas as existências que trago caladas
Aos gritos
Dentro da minha!
Ide, tendes caminho aberto, manifesto!

Que magnífico exorcismo me poderá libertar?
Que Reverendo me dará depois a bênção?

Desfaço-me!
Despedaço-me em todos os cravos do meu quintal!

Continuarei a gritar por todos os poros!

Em silêncio,
Meu amor.
Em silêncio.

Afinal,
Não te encanto eu com as damas da minha utopia?
As mais veneradas!
E, não te falo eu do odor a alfazema no meu leito pelas manhãs?

Pois sim!
Porém, desfaço-me a cada momento, a cada anoitecer.

Sou floresta ardente de qualquer amor perdido.
Sou parede esquecida por pintar de qualquer casa feliz,
Madeira por polir, diamante por lapidar.
Sou talvez apenas esta semente,
E ser sozinha,
Qual peixe solitário em alto mar.

Trago apenas a poesia nos braços como um filho,
Qual dádiva de sangue
Que ninguém ousa retirar,

Ainda que as flores deixem de florir na Primavera
E o Sol deixe de se fazer anunciar,
Eis que assim percorro o caminho de todos os cardos,
Pois que já não há jardins
Ou exílios
Ou o refúgio dos amantes.
Já não há nada!
Apenas a loucura e a certeza de todas as metamorfoses.

Eu, permanecerei a gritar!
Em silêncio,
Meu amor
Em silêncio.

© Célia Moura – Do livro “Enquanto Sangram As Rosas…” 09/05/2011
(Ilustração – RJ Muna Photography)

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