Ainda Existem Grilos Na Tapada


12247063_916564165094073_1999889104309379507_nAinda Existem Grilos Na Tapada
Ainda subsistem grilinhos ecoando
meus límpidos risos de menina
na Tapada,
toda ela salpicada de verde e branco,
amarelo e vermelho.

Quem diria meu irmão
que haveria de passar abolição, guerra,
escravidão,
revolução, constituição, revisão,
geração após geração,
liberdade, condenação
e em cada novo ciclo
germinação?!

Quem diria meu amor
que o afecto ainda se derramasse
nas paredes vestidas de branco
origem debruada a giestas e alfazema
lá na memória da antiga casa!

A vida que nos ultrapassa é apenas o instante que acabou de acontecer.

Aquieto-me nesta finitude de mim para me reinventar
noutra coisa qualquer,
simplesmente porque
sou este instante
e ainda existem grilos na Tapada.

© Célia Moura, a publicar
[Foto by “a gota” – Manuel Catarino (Mané Lito)]

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2 pensamentos sobre “Ainda Existem Grilos Na Tapada

  1. Bom dia Paulo Vasco,
    tão bom saber de você! 🙂

    Saber que continua a ler meus ‘poemitas’ e ter gostado sobretudo deste tão simples mas tão especial numa espécie de evocação a um dos locais mais belos e singulares que trago dentro de mim.

    Minha imensa gratidão Paulo.
    Abraços de Luz.

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