As Árvores Morrem De Pé


10172683_623478287735997_3359768721998451194_n (1)As Árvores Morrem De Pé
Rubras eram as portas rasgadas de par em par
do teu sorriso,
entre negros corvos, ao entardecer das palavras já ditas
porém sempre novas,
Meu amor…
…e tuas mãos regressando a mim, enlaçando seda
nos meus cabelos de água pura,
caindo caravelas de pérolas pelos meus seios de esperança.

Revejo-te ainda entre as crianças,
rodopiando a “fogueira de todas as vaidades”,
como se fosses uma árvore hirta num caos de
tantas vozes.

Ousada era a tua voz, meu amor, meu amante, meu amigo!…
…e terna, tal como um pintassilgo
porém, fazias redemoinhar ao vento norte, paixões!

Percorre-me a púbis em terras de Abril,
aquelas fervorosas noites em que falavas Liberdade
e me amavas sôfregamente entre o cais da cidade,
ou os longos pinheirais…

Infernais eram as tochas das daninhas mãos
que num dia de bréu e horror te levaram de mim
sempre a acenar,
sempre…
e eu a ti…

Soube que te mataram,
quando um pequeno rouxinol
me caiu morto no regaço
na manhã seguinte.

Ó meu amor,
que lauta cascata virá agora inundar-me Vida
e escorrer-me pelos seios?

Ó meu grande amor roubado,
que resto viúva de ti
em segredo, sem um anel cravado no dedo
mas com uma aliança cravada no ventre,
tua semente.

Meu amado,
em ti me cesso, por ti me visto.
O teu nome há-de ser nosso filho
e será Liberdade.

© Célia Moura – A publicar “Terra de Lavra” 17/04/2013
(V. Romero Redondo Painting)

Anúncios

Deixar um comentário:

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s