Oblíqua a seiva que me invade o ventre


13178778_988497147865886_6060061611455802819_nOblíqua a seiva que me invade o ventre,
Terra de ninguém!

Que a espuma do mar me envolva
As algas se entrelacem em meus cabelos,
Eu vá mar adentro com meu ramo já seco
Tua negra noiva, negras as tulipas.

Meu véu branco cobrindo minha nudez,
Nesta celebração de chuva e espumante
Evocando nenúfares jamais por meus seios sentidos
O teu banjo adorado
E minhas moribundas preces.

Porém, antes que o mar se sacie de mim e eu dele
Num deleite bestial,
Preciso retornar ao teu séquito de esmeraldas,
Abraçar uma sequóia,
Rasgar meu corpo entre as escarpas do teu abismo
Para que possas lamber meu sangue
Na fogueira que te deixo
Só para que me recordes em mais um gole de puro absinto
E em todas as pétalas por queimar.

Ainda antes de partir deixa que te embale meu menino amado
E te oferte meu véu emprestado, terra de ninguém como eu,
Quanta seiva renegada!

© Célia Moura, a publicar – 10.05.2016
(© Ilhan Marasli Photography)

Anúncios

Deixar um comentário:

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s