EM TI


(c) “Google”

EM TI
Na voz que minhas mãos hão-de enlaçar,
cantar-se-ão prantos de luar
no útero da desolação,
e soarão lágrimas como cristais coloridos
das estrelas que os meus olhos fitam
até quase à cegueira
de não te ver mais.
Desenho sorrisos de luz inebriados,
e permaneço em ti.

Conseguirá o Amor gritar pelo e puro,
em todos os recantos da poesia?

Remexo,
Revolvo o sangue inteiro.
É nele que te encontro!

Por nós,
hão-de as pedras rudes do caminho,
entoar cânticos nupciais sofridos,
em marchas fúnebres,
e decerto chorarão o horror
da maior dádiva, sugada no veneno
das víboras disfarçadas.

© Célia Moura – in “Vestida de Silêncio” – Ed 2000
(Imagem – “Google”)

Anúncios