Brindai-me Poetas de toda a Terra


490170113Brindai-me Poetas de toda a Terra,
A ânsia das palavras manifestas
Nos prados da Unidade!

São subterrâneos claustros
A renascer,
Consagrando de silêncio
Nossas vestes!

Magnificai a Dor até aos cumes da exaustão,
Florescendo a divagação dos tempos,
Neste perpétuo alento
A roçar, beijando o desalento!

Sois vós, porventura os abençoados,
A fogo lapidados,
Profetas rendidos
À alma das quimeras?

Sois vós?!

De vós!

Vozes de denúncia!

E estais nus,
Honrando os lírios do campo?

Derramai então
As lágrimas,
As mais anárquicas
Na cúmplice agonia da miséria!

Chorai Poetas de toda a Terra!

Banhai-me no fel das causas perdidas,
Nobreza jamais concedida,
Porém, ao vento suão
Libertárias em desalinho!

E após revelardes a humildade aconchegada
No aroma fresco das maçãs,
Celebremos ao sol, despidos,
A inauguração do verde a vibrar nas colinas,
Humanidade sublimada
Nos olhos das sereias!

© Célia Moura – in “Jardins Do Exílio” (04/10/2011)
((Imagem – Isaac Chiu Photography)

Anúncios

Deixar um comentário:

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s