ANJOS DE UM “DEUS MENOR”


943102_514210851961187_1318641109_n (1)ANJOS DE UM “DEUS MENOR”
Do local onde estou sentada
observo uma criança.

Com que impotência
me despedaço pelo chão do desassossego
entre vinho de alfazema
e labaredas de angústia
embriaguez de sentidos,
total desvario de loucura
estas crianças nossas em agonia vibrante
nesta barbárie vibrando
em rosto de Homens,
quais carrascos de Lúcifer!

Ai,
Meninos de um “Deus menor”,
por quem o mundo orou,
pelos quais o mundo jamais se esquece se orar.
e, mártires deste mesmo local
onde tão levianamente
andamos de braço dado com as trevas da morte
e da imundícia
dizei-me Senhor, que gloriosas marés
ainda nos poderão conter,
que mãos ainda nos poderão resgatar da maldição
instalada no ventre da Terra Mater,
que tormento este,
meu Senhor!

Ai, meninos de olhar triste,
mais triste que este negrume instalado no silêncio de um destino
de deambular ausências cravadas dentro da minha,
dizei-me vos imploro,
entre açucenas e pombas brancas,
qual o Salmo redentor,
qual a oração eleita
que vos proteja ainda,
Meninos meus,
Anjos de Deus porventura esquecidos?!

Não!
Decerto cuidarás deles, porque um dia dissestes que eram Teus.

– “Deixai vir a Mim as criancinhas”.

São Teus, sim!
São, meninos de todos nós!

© Célia Moura – (Poesia dispersa)
(Imagem – Wahyuni Fierdaus Photography)

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3 pensamentos sobre “ANJOS DE UM “DEUS MENOR”

  1. Excelente. Façamos um pouco por eles!
    “São Teus, sim!
    São, meninos de todos nós!”

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