Enquanto a musa rejubilava de divina graça


13442160_1317801494899951_8842970164032245348_nEnquanto a musa rejubilava de divina graça,
Bailando entre vitrais de infinito,
Qual mensageira de ferinas tardes
Em desafios da Razão,
A música repousava no ocaso,
Acalentando sábios foragidos,
A reclamar coragem
Às douradas hastes
Dos pinheiros mansos.
Minhas mãos de sacrifício vivo,
Derramam lágrimas
Em rostos de soberba, ainda,
E em negras vestes de morcego,
Se esvaem,
Até sucumbir à atormentada náusea…
… e procuro, rebusco, remexo, revolvo
A seiva aflita de mais um grito!

Ai,
Meus desencontros tende piedade de mim!

Onde terão colocado meu cálice de unguento?

Convoquei a paixão.
Em todas as vigílias clamei,
Pelas mesmas me perdi!

Foragidos, dementes, mendigos, somente!
A musa rejubilou
Foi embora.
Meus olhos cativos no peito das andorinhas
Vos dedico,
Assim, errantes,
Loucos em movimento constante,
E só depois desfaleço,
Já rendida,
E vos oferto a inflamada voz,
Resistente quanto a inevitável morte,
Num rasgo de luz poente,
Entre bebedeiras de açucenas e sangue de mim.

© Célia Moura – in “Enquanto Sangram As Rosas…” – Ed 2010
(Ilustração – Jean-Marc Nattier: “Terpsícore” musa da música e da dança – óleo sobre tela 1739)

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