MEUS SEIOS DE PRIMAVERA


13445334_1317681831578584_532333365927661141_nMEUS SEIOS DE PRIMAVERA
Olho-me, nos espelhos da existência,
Tão dupla, tripla, conturbada!

Olho-me simplesmente nos vitrais da Vida!…
…na polpa de todos os frutos sãos,
Nos seios palpitantes da juventude que fui.

Olho-me e revejo-me ainda!

Nunca, em meu triste penar,
Imaginei tal desventura!
Apenas a transição de mais uma Primavera para um Verão.

Ai, meu Senhor
Que intempestiva a Coragem
No verde das maçãs,
No rubor de todas as rosas apaixonadas,
E da terra a fervilhar alegria, outrora!

Ai, meu Deus, meu Pai,
Que Destino!
Voltar a ver-me nos umbrais das portas
E dançar de saudade
Do que fui, do que sou ainda…
Mas já não parece ser.

Quero de novo o sabor de todas as açucenas,
O limão nos lábios,
O florescer da alquimia,
Em minhas mãos de artífice remoto.

Ardentemente desejo os primeiros poemas
Como bênção divina.

Porém, olhai-me simplesmente
Ó gentes,

Ó gentes da minha Terra…

… nada mais valho que,
Os frutos de uma estação qualquer.
Se ao menos, eu moresse
Como eles,
E voltasse a renascer?

Mas não!

Sou talvez quimera, ou fantasia,
Porém de carne, sangue, existência banal!

Vitrais desta vida,
Iluminai-me, vos rogo!
Libertai-me Senhor desta outra que em mim brinca
E canta, e me ilude em constante desatino.
Quero mais azuis as hortênsias da Razão.

© Célia Moura – in “Enquanto Sangram As Rosas…” – Ed 2010
(Ilustração – imagem “Google”)

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