EM NÓS


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Se possuisses a força da música,
das palavras perfeitas
a eternidade rasgar-se-ia em nós.
Nasceriam rosas vermelhas num ermo qualquer,
e nenhum vendaval as desfolharia.

Se o meu rosto esvair em sombra
no teu corpo,
e minhas mãos murmurarem silêncio, toma-me apenas o olhar
num altar de sacrifício.

Toma-me como um vinho doce,
como a valsa solitária do incenso corroendo a noite.
Sou a tua insubmissão,
a tua noiva de ilusão,
por isso, toma-me no teu peito.
Embala-me, como se fosse a tua essência, o teu grito, o teu lamento,
e faz-me regressar
na espiral do tempo.

Toma-me a voz
para que se cale a ausência,
e a saudade emudeça.

Toma-me como uma pequenina semente, Viva,
no embrião dos dias,
como uma tarde de cristal
inebriada de promessas

Toma-me, meu amor,
como um jardim devastado
na Verdade,
e na tua imensa dor,
invade-me com teu pranto
o meu ventre de luar.

© Célia Moura – in “Jardins Do Exílio” – Ed 2003 – 14/06/2016

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