Reflectida no amarelecido espelho de outrora


10371965_751003298316828_2743694852840069303_n (1)Reflectida no amarelecido espelho de outrora,
Fitando-me,
Sorrindo com aqueles olhos negros
Que sempre me tinham guiado
Como dois faróis imensos,
Pegava na minha mão
Uma criança,
Rodopiando leve como uma folha num entardecer de Outono
Fazendo-me correr por todas as ruas
Já esquecidas…
Quanta energia naquele corpinho pequenino
De amarelo vestido,
Quanta doçura naquela dádiva que para mim
Se abria como um girassol!

Com suas pequeninas mãos
Afagava-me o ventre,
Colocava-me flores nos cabelos
O azul do mar nos olhos,
Enquanto me embalavam ventos
Debaixo da figueira antiga,
E num sopro repentino de rara lucidez,
Exemplar,
Entendi que aquela criança afinal era eu.

Ergui-me,
Para dançar descalça de mim em todos os palcos vazios,
Em todas as eiras, por todas as praças
Trazendo melros nos sentidos, um resto de figos na boca
E azul mar acariciando-me o corpo inteiro.

© Célia Moura – a publicar – “Terra De Lavra” (22/12/2014)
(Vladimir Volegov Photography)

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