A Pastelaria Defronte À Casa Vazia De Mim


13669631_1068385149911973_2521179064728991278_nA Pastelaria Defronte À Casa Vazia De Mim
Na pastelaria defronte à casa vazia de mim
Onde habito
Distraio-me nas gargalhadas imbecis
Das gentes rotineiras que absorvem meias de leite e galões
Fazendo uma espécie de orquestra com o autocarro parado adiante
Falando da vida alheia
Com a boca tão cheia que chegam a cuspir “gafanhotos” espaciais
Apanhando os mais incautos.

São raras as vezes que passo por lá.
Mas gosto de observar o saltitar dos pardais em busca de migalhas.

Na pastelaria defronte à casa
Onde ainda habito
O álcool ameniza os mais pobres ao entardecer,
A marijuana devolve-lhes os sonhos mais banais
E as crianças vagueiam soltas sem jantar
Apenas brincando e comendo gomas e chocolates.

Se ao menos fossem como os pardais da manhã a saltitar
Entre as mesas,
Se ao menos fossem os cães que as senhoras levam a passear
Aos quais compram um bolo de arroz ou com eles dividem a sua tosta mista!

Quão estéril é a pastelaria defronte!

© Célia Moura, a publicar (31/07/2016)
(© Gabe Tomoiaga photography)

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