Regressei de noite


1922327_774995505917607_1195824718947010912_nRegressei de noite
aos escombros de mim
perdida e achada na velha casa
onde outrora se abrigavam
ninhos de andorinhas.  A arca do sobrado
intacta,
firme como as lembranças
e o linho que me cobre a nudez,
nada mais…
Centenária a oliveira do quintal
onde tudo fora desmoronado
sussurra-me segredos
restícios de paixões
queixosa da minha demora.
Como a entendo!

Regressei de noite
só para morder as sombras
libertar as lágrimas na tapada
lapidar quimeras entre pinheirais,
parir entre as estevas
nas margens da ribeira
todo o amor que sufoca
a dor.

© Célia Moura – a publicar “Terra De Lavra” [17/09/2014]
(Denis Buchel Photography)

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