Derradeiro Grito


10177989_634766346607191_3019506109377924057_nDerradeiro Grito
É quase a ascese,
a Revelação derramada
no segredo dos enevoados lábios
da madrugada,
ansiando o suave beijo
da brisa dourada.

É o fôlego tardio,
vitorioso e mudo das mãos entrelaçadas
purificando memórias.

É quase a ceifa,
o limiar retalhado das palavras
dançando em apoteose,
a paixão encalhada no peito das gaivotas.

É a comunhão do desencanto
incendiando pensamentos
num pedestal fecundado de exaustão…
uma partilha de ilusão,
dispersão,
de vozes vivas e cruas
embebidas em delírio
no silêncio incómodo
da secreta morte.

É quase o vinho,
quase o sangue sugado às rosas,
quase a vindima!

É quase o Caos,
quase a orgia prometida aos amantes,
esculpindo a verdade em rituais de fogo.

É quase a seiva
o derradeiro alento do Desejo
gritando por nós.

É quase o enlace,
neste voraz desenlace
de tempo.

É quase o Fim,
quase o Início!

Decerto a Luz!

© Célia Moura, in “Vestida de Silêncio” 03/07/2013
(Antoine de Villiers Painting)

Anúncios

Deixar um comentário:

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s