O Corvo


10177278_633674090049750_2701540023363058669_n (1)O Corvo
Quando os meus cabelos caírem defronte
Do teu desassossego,
Meu amante de improviso,
Não sou eu,
São nenúfares inquietos, porém dançando a valsa dos cisnes
Entre todo o desalento.

E, quando tuas mãos caírem no meu ventre
Inertes
Também não sou eu
É uma nuvem branca feita de esfinge
A acolher todos os amantes infelizes.

Mas quando em silêncio, um corvo mais negro que a noite
Te vier desenhar um luar em plenitude jamais visto, talvez seja eu,
Eu a reclamar tuas mãos entre os meus viçosos seios já sem vida…
…Eu a estilhaçar o tempo corajosamente da fome
Que te não falei
Da sede que te não disse,
De tudo o que não vi.

Nessa altura, recita-me a “mortalha nupcial”
Até que um dia
Nossas asas se possam envolver de novo
E eu possa regressar.

© Célia Moura, in “Enquanto Sangram As Rosas…” (5.Maio.2014)
(Brita Seifert Painting)

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