Sentiste a minha boca no sangue


1502515_574811782602648_286652616_nSentiste a minha boca no sangue
De todas as alvoradas?

Não, não me ficou o cúmplice sabor da paixão
Tatuado na saliva
E da enseada
Não há registo de corpos nem gritos de gaivotas alvoraçadas…

Sentiste sim o leve toque dos meus lábios
Um banal e rotineiro contrato que se lacra com um beijo

Nunca te lançaste no meu mar, meu amante, confidente, irmão amigo
E não ergueste teu grito ao meu
Banalizaste as flores silvestres, e todas as outras
As rosas, as tulipas, os antúrios…

Eu ando a galopar desertos minados de escorpiões
Em carne viva
Arrasto esta sede por todas as pedras da calçada que me agridem
– ai quem me dera que todas elas fossem desfeitas!
Que nunca mais uma delas se soltasse,
Assassinas as pedras da calçada!

Sentiste o segundo que me rasgou de sortilégio?
Vê-lo-às sempre na árvore que sustenta os ventos.

© Célia Moura – A publicar – “Terra de Lavra” (6.Out.2013)
(Imagem – Auguste Rodin Sculpture)

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