A vida é tão engraçada


tumblr_lrsuo0ozhc1qfiy0yo1_500A vida é tão engraçada. Há cerca de vinte anos atrás quando eu era uma promissora poeta da Literatura Portuguesa, e ainda não tinha escrito coisa alguma, encontrada assim num beco de Lisboa tipo papoila, fui convidada pela Impressa para dar uma ou duas entrevistas. Uma delas num jornal de âmbito nacional com o qual colaborara durante anos. Como sempre detestei ser fotografada! Esse é e creio que sempre será meu “calcanhar de Aquiles”. Como será possível eu ter tanto pavor de máquinas fotográficas ao ponto de fugir delas?
Pois, só não tenho hipótese de fugir quando me captam completamente incauta e eu lá faço uma das minhas ‘caretas’ quem sabe para não parecer muito eu. Ainda não houve um único psicólogo que me elucidasse acerca deste pavor doentio.
Só a minha Avó materna era assim, de resto nunca conheci mais ninguém.

Adiante, pois falava eu dos meus melhores tempos enquanto poeta neste país.
Só que jovem e demasiado ‘imberbe’ deixei sempre (hoje vejo bem isso) a desejar no que poderia dizer tanto caso fosse hoje.
Pois é, grande pacóvia!
Imaginaria lá eu que o hoje nada tem a ver e em coisa alguma com o que foi a Literatura de há vinte anos atrás, sua forma de divulgação, as tertúlias, os encontros dos Poetas entre tantos Escritores e Artistas vários!
Parece que passaram décadas e décadas…

Foram tempos de ouro para mim.
Se sinto saudade?!
Como não sentir de pessoas grandes que se faziam pequenas na sua enormíssima humildade sabendo bem o que valiam?!
Como não sentir saudade de um abraço de ternura de Poetas como António Manuel Couto Viana, Ulisses Duarte, Fernando Pinto Ribeiro, Fernando Grade, Paulo Brito e Abreu, Ivone Vairinho, Madalena Gomes, Alice Fergo e tantos, tantos outros que trago em mim.

Hoje é tanto “fast-food” literário que raramente me encontram nalgum lado.
Continuo a apreciar o não comercial como em tudo, o que não se escreve com o intuito da venda, mas só para apreciadores, o tal vinho que nem todos conseguem degustar.

Como eu gostava de voltar a publicar em jornais sem ter publicado um único livro ou participado em coisa alguma e poder dar entrevistas!
Blá, blá, blá…sorrisos e sentir que fazia parte do “Clube Whiskas saquetas”.

© Célia Moura, Set./2016

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