Carrego nenúfares solitários


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nos cabelos da ira.

Desprezo a castração
da mudez
em todos os cardos,
em todas as faces escondidas,
e a poesia que consente!

A verdade dos profetas,
não sei.
A verdade dos poetas,
o firmamento!

Vão no vento,
nus,
prostrados nas falésias
que o mar conquista.
Regressam nas asas
das pombas brancas.
Surgem, qual Fénix renascida
das próprias cinzas.

Viajam na Pompeia do Destino,
vão no vento norte,
voraz, que a dor agita,
no Cabo de um mundo alheio.

Vomitam gestos
no areal revolvido
do vago deserto ferido.

Poetas,
ainda reclamais renascimento
ao firmamento,
ou naufragais embebidos
em enigmas circunstanciais?

Mordeis vós,
o sangue à Verdade
e rebolais pelo chão,
despidos,
a anarquia das flores silvestres,
no suor
das searas benditas,
aflitas,
em constante julgamento?

E, a ironia,
lenta e doce,
no desdém dos sorrisos,
ainda esfacela em estilhaços,
a mediocridade?

Invoca, meu irmão,
por amor ao infinito
a natividade de todas as palavras possíveis,
nesta Festa em constante ebulição,
de sermos tantos,
de sermos sós,
de sermos nós!

© Célia Moura – “Jardins do Exílio” (02.0V.2011)
(Ilustração – Jaroslav Mares Photography)

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