LICOR DE MADRUGADA


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Dilacero-me nos teus beijos de alecrim
E solidão,
Enquanto me espreguiço no desfiar do tempo
Em mais um cálice de licor,
Meu amor,
Num sussurro
Segredando Volúpia.

Dilacero-me sim,
Meu amor,
Meu amante,
Meu amigo,
Até ser piano, seiva, gesto, pedra, palavra,
Terra já pisada.

Dilacero-me na vida que já foi
Na Liberdade que saboreei e corajosamente
Gozei até ao outro extremo de mim.

Dilacero-me entre as gargalhadas
Neste circo estupidamente igual e absurdo,
Sem qualquer evolução decente,
Porém com tantas evoluções aparentes.

Dilacero-me por inteira
Como quem perde um filho,
Uma pátria,
Um hino,
Meu amado
Meu único amigo.

Estou inteira tal como uma rosa em pleno apogeu
Da beleza,
Para logo a seguir,
Desfeita.

Dilacero-me em orgasmos e bebedeiras de jasmim
Ao poente de toda a persistente dor,
E na Divindade que me faz brotar os seios,
Invado-te
Só para te inundar de risos , champagne e poesia
Meu amor,
Amante de açucenas ainda brancas e acordes de bandolim
Vibrantes pelo chão do soalho e do jardim
Inventando alquimias
De um caminho novo
Sémen a palpitar
Apoteose de madrugadas.

© Célia Moura (20.Dez.2012) – a publicar
(Ilustração – Obra de Mark Spain)

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