Ó Prostituta de todas as madrugadas


542400_463944333654506_861162219_n (1)Ó Prostituta de todas as madrugadas,
Vem saber quem eu sou!

Sou aquela que te cuspia perante qualquer afronta
E eis-me aqui nua
Bem defronte aos estilhaços do Sr. Velho Tempo.

Eis-me aqui serva,
Não vencida
No holocausto previsível dos Poetas!

Ó vozes que não sei de onde vindes,
Apartai-vos de mim
Que vos desconheço!

Ó Prostituta, este esgar é desvendar-me mais além…
Muito para além das rosas e do sexo,
E do prazer que esmago entre os dedos, e tu sabes e eu sei
Que nada vale senão um grito
Para quem te queira ouvir,
Ó Virgem de todas as preces abençoada
Quem te invocará?!

Ai holocausto dos profetas, brindai-me com todas as letras!
Ai raiva, ai sangue, ai tortura!

Ó Prostituta de um fado consumado benzei-me!
Ó Abençoada deste poema maldito, vem consumir-me,
É urgente teu incenso escorrendo madrugadas
Pelos meus seios
E mel rejuvenescenido no ventre maduro das searas.

© Célia Moura (A publicar) 01.Set.2011
(Ilustração – Obra de Antonio Tamburro)

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