Olharás de novo


10446629_670891629661329_173147176174166201_nOlharás de novo o pão de cada dia
Como o teu corpo,
Um corpo só
Até saborear a criança que de novo há-de crescer em ti,
Liberdade que gritará por todos os teus poros
Quando o estilete dos teus olhos se derramar
Perante as mãos de todas as estátuas
E sob seus pés permanecer a idolatrada esfinge dourada
Do estigma.
Ó gloriosa de todos os vendavais;
Ó soberba desventurada,
Mãe de todas as mães,
Filha de alva
Devir,
Jejum entre a penumbra dos dias, retalhos de palavras lavradas
Pelo arado da esperança.
Hás-de saborear de novo o pão da Liberdade
O néctar da paixão,
O silêncio da poesia
Estilhaçada em teu corpo
De andorinha,
Ó prece entre a arena do caminho,
Gladiadora sem qualquer espada
Beijando a rota do destino.

© Célia Moura, in “Enquanto Sangram As Rosas…” (18/10/2011)
(Ivailo Petrov Painting)

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